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Eu tenho uma amiga que tem um couval e um batatal
Ela tem uma amiga com palavras no nabal
Falamos de muita coisa
Dos homens que a gente tem
Dos filhos que a gente mima
Do eurito que se fina
Ela da chuva e do vento
Eu da vida, etecetera e tal
De assuntos da vagina
De trapos e da receita
Da vida que corre mal
Ela limpa ao avental
Os amores de antigamente
Eu embrulho um poemeto
Numa folha de jornal
Palavra puxa batata
Couve puxa pensamento
Resolvemos a contento
Uma troca surreal
Ela dá-me o sustento
Com verduras do quintal
E eu trato-lhe da alma
Com frutos do palavral
Meio quilo de batatas
Por dez quilos de poemas
Até que nem fico mal
Que em crise financeira
Guardar palavra é asneira
O que importa é o batatal.
Meio quilo de batatas
Por dez quilos de poemas
Até que nem fico mal
Que em crise financeira
Guardar palavra é asneira
O que importa é o batatal.

2 comentários:
Supremo, como sempre. Este (como tantos outros poemas teus em prosa ou verso) tem que figurar para sempre nas selectas, se houver justiça e algum bom gosto.
(Lá na escola inventaram uma coisa que se chama "ler, sem mais nada". É a minha oportunidade de projectar o amirgã na sala do 11º ano. Não vou ficar lendo coisas trôpegas de clássicos coxos, ou coisas lelés de escritorazinhas infantilizadas... isso é que não vou.)
joao de miranda m.
Oh, João, um dia destes ainda te mandam para a fogueira! Então tu vais projectar o Amirgã? Ainda se fosse com um pseudónimo pomposo!
Obrigada, mais uma vez pela tua amizade constante e pelo brilho que dás ao Amirgã!
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