quinta-feira, 5 de março de 2009

Questão linguística

ruifms.wordpress.com/2008/12/

Por que razão os linguistas não consideraram ainda (que eu saiba) a hipótese de classificação do linguajar infantil como um dialecto ou mesmo uma língua oficial? Eu sei que as variantes seriam imensas, mas, nestes tempos de rigor classificativo e de precisão identitária, não seria despiciendo este tema. É que o bebé tende a imitar os sons adultos, mas, por insuficiência articulatória ou qualquer outra, amenina-os e cria até neologismos. Senão, leia-se este diálogo.
Avó (com o neto ao colo e apontando, excitadíssima, uma esfera de lágrimas de fogo a subir os céus no dia de Stª Engrácia) – Olha, meu amor, um foguete no céu!
Menino – Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Avó – Viste este? Chhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, pum!
Menino – Chhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, pum!
Avó – Olha outro! Tão lindo! Tátátátá! E outro! E outro! Tanto fogo!
Menino – Chhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Pum! Pum! Pum! Tátátátá!
Avó – (explicando a qualidade do fogo, não fosse o bebé assustar-se) É fogo de artifício, meu amor! Olha, acabou-se. Já não há mais foguetes.
Menino (meio triste e ainda à espera) – Vó! Onde tá o fodo? Os fodetes?

2 comentários:

joao de miranda m. disse...

Ehehehehehehehe
Também rejuvenesci com este. Mesmo que me tenham acabado os... foguetes (linguagem oficial).
Maravilha de texto.

odete ferreira disse...

É fantástica esta pausa. Dá para me maravilhar com a vida, que (aqui para nós) está pela hora da morte.
Abração memo, João. Com música!