
No Centro de Saúde
Ontem, Susana M., grávida de fim de tempo, dirigiu-se ao Centro de Saúde, para ultimar o processo burocrático que antecede o parto e a licença de maternidade. Faltava-lhe apenas a vinheta do seu médico de família, num dos documentos. Meteu-se na fila do bloco X, frente a um guiché, onde a funcionária ia cuidando de baixas, marcação de consultas e afins. Susana, mal se aguentando, ainda esperou que fosse aviada meia dúzia de utentes, na esperança de que algum deles ou a funcionária vissem o seu visível estado e lhe dessem a cívica e legalíssima prioridade. Cansou-se. Decidiu sair da fila, chegar-se ao postigo e perguntar:
- Não há prioridade para grávidas?
- Que grávida, que grávida? Não vê que me está a interromper? - pergunta a zelosa burocrata.
- Aqui a prioridade é de quem chega mais cedo!, vocifera um grandalhão.
- Desculpe, podia dar-me o livro de reclamações?
Susana é atendida de imediato, com pedidos de desculpa por parte da escriba, que continua o seu rosário de queixas, mal a gestante sai do bloco X.
No hipermercado
Susana M. vai ao hipermercado. Faltavam-lhe ainda os últimos pormenores do enxoval. A mãe de Susana vai carregando o carrinho. Susana dirige-se para a fila das grávidas, que não está a funcionar. A funcionária da fila do lado vê-a, chama-a e dá-lhe prioridade, deixando em convulsão duas clientes, uma das quais desistiu mesmo das compras e abandonou o local, barafustando contra a funcionária e a grávida que, se via, nem estava nada mal.
Susana ainda hesitou, mas a menina da caixa disse-lhe que não se importasse com o alarido e que, ali, as grávidas tinham prioridade em qualquer caixa. Susana pagou e agradeceu o reconhecimento da sua legalíssima prioridade. A menina da caixa sorriu e desejou-lhe uma boa hora.

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