
2ºCapítulo
Lá fui eu. Eram 9h menos três minutos, já estava à porta da repartição. Três utentes já faziam fila. Avisos a letras gordas informavam que, a partir de ontem, só assuntos urgentes eram tratados ali. Sem termos parâmetros de avaliação da nossa urgência, deixámo-nos ficar. Passa uma senhora:
- O que estão aqui a fazer?
Cada um sumariou a sua urgência. A senhora continuou o seu passo, abriu a porta da repartição e fechou-a novamente.
Continuámos à espera, na esperança de que os avisos não fossem para nós.
Passa outra senhora, dirigindo-se a outra repartição.
- O que estão aí a fazer? Não lêem o que está aí escrito?
Ainda respondi que estávamos à espera, porque a outra senhora não nos tinha mandado embora.
- Isso é consigo.Se quer ficar aí, fique!
Estávamos a ficar tontos. Homens carregavam caixotinhos de papéis para uma carrinha de mudanças. Finalmente, uma terceira senhora chegou e, depois de nos informar que estavam em mudanças, me aconselhou a dirigir-me às novas instalações, depois de amanhã. Lamentei que não nos tivessem informado, com clareza, antes. Fiquei a saber que, antes, ninguém sabia com clareza o que iria passar-se. Nem a menina nem a senhora do primeiro capítulo.

1 comentários:
a realidade ultrapassou a ficção
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