Todas as serras são terra. Mas há umas mais terra que outras. Umas mais guerra. Outras mais mulher.
Em Estarreja, na noite de 24 de Maio, fundiram-se Miranda e o Caramulo.
Do terrunho nordestino, os pandeiros, a pandeireta, as gaitas de foles, as frautas, os chocalhos, a çanfona, as vozes, com ganas de espadeirar e guerrear o nevoeiro merencório que nos vai cobrindo as vistas. No alfarrábio das letras, rimances, risadas e caçoadas do mau passo de mulheres ou de frailes cornutos. O mirandês a saber-nos a pingue de alheira qundo fai frio invernoso e a auga fresca do cântaro, no pino do Verão. O Douro terroso a sorver a terra.
Do Caramulo, o acordeão, a braguesa, a rabeca, o bandolim, a flauta, a guitarra, a percussão, o contrabaixo, a lua namoradeira, a voz sem capucha, a subir em preces ao divino e a descer socalcos e cascatas, em trovas amaciadas ou em despiques garridos. Tudo a ressumar verde.
Nas duas serras, a oliveira, o linho, os serões, a cantiga a aliviar as cruzes do trabalho.
Em Estarreja, as duas serras. As gaitas e as cantigas dos Toques do Caramulo e dos Galandum Galundaina num Chin, glin, din, à sombra da oliveira, a uma voz que fez mover montanhas e o público que não queria arredar pé.


