sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Violências


Quantas crianças e jovens não abusam de violência sobre os seus pares?
Quantas famílias não têm usado a violência para a obediência?
Quantas escolas não têm assumido a violência como uma prática para o valor da disciplina?
Quantas sociedades não eliminam crianças da rua?
Quantos senhores da guerra não usam crianças para matarem resistências?
E...
Quantos de nós ignoramos?
Quantos de nós fechamos os olhos?
Quantos de nós desculpamos?
Quantos de nós acusamos?
E se, neste momento, as nossas crianças, as nossas mesmo, estiverem a ser agredidas?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Luto


Calou-se brutalmente a voz
Engole-nos o sufoco do silêncio.

domingo, 18 de outubro de 2009

Pertença


O homem ao fundo da esplanada voltou-se, olhou-me e acabou a sua cerveja. Levantou-se,chegou-se devagar à minha mesa e sentenciou:
_ A senhora pertence aqui!
Como se me lesse.E desfiou a minha história.
O Chino, assim o alcunharam em menino, guarda em memória o primeiro argumento da minha vida. Como eu, também pertence aqui.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Mosteiro


Em frente, a montanha, atoalhada de sol. Caminhos e quintas riscam-lhe o verde da pele. Castanheiros aguçam o apetite de magustos. Um cão ladra ao silêncio. Um badalo de rebanho assusta a folhagem. O Mondego dormita nos braços de uma ponte. Um gatinho preto assusta-se com estranhos.
Na casa em frente, uma pintora recolhe manchas de um verão tardio. O sino da igreja destapa as pegadas das horas. Aquieto-me. Banho-me no paraíso da infância.
Só o tempo, a prima Ção,os mimos da horta,o bater da roupa no tanque da aldeia, as boas horas da vizinhança e a net me entram pelas frinchas do mosteiro.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

PARABÉNS!

domingo, 11 de outubro de 2009

Inteligentes ? Criaturas invertebradas? Analfabetos políticos? Cobardes torpes? Hã?


Referindo-se ao povo, certos candidatos a lugares políticos louvaminham ou denigrem o povo, de acordo com as suas vitórias ou as suas derrotas pessoais.
Pinheiro de Azevedo,um governante em apuros, declarou, no Terreiro do Paço:
O povo é sereno!
Todos, na ansiedade dos resultados eleitorais, declaram que o povo é sábio!
Esta manhã, quando tinha acabado de exercer o meu direito de voto, e já no corredor, chegou-me um desabafo trémulo de um votante para um candidato que se pavoneava acidentalmente por ali.
- Não sei. Estou com medo!
- Oh! Não! O povo é inteligente!
Eu, que não sou candidata, também espero que o povo revele a sua inteligência, não escolhendo o candidato pavão.
Aguardemos. Quem dirá:
Eu tinha razão! O povo é mesmo inteligente!
Quem, à semelhança de Vasco Graça Moura, lhes chamará "criaturas invertebradas"?